Por que marchar, afinal
O bloqueio econômico da Inglaterra exigia a participação de toda a Europa, mas a Rússia havia, na prática, saído dele: o comércio continuava contornando a proibição. A campanha militar deveria levar o aliado de volta a seus compromissos anteriores, não conquistar o país.
O plano se baseava em um cenário conhecido. As campanhas anteriores haviam sido vencidas rapidamente: uma grande batalha perto da fronteira, a derrota do exército adversário e negociações. Esperava-se o mesmo desfecho ali, em poucas semanas.
Os exércitos russos não aceitaram a batalha e começaram a recuar, unindo-se pelo caminho. Cada avanço para o interior alongava as linhas de abastecimento, mas a batalha decisiva não acontecia, e foi isso, não a distância em si, que desmontou o plano.
Onde o exército foi perdido
Como o número de soldados diminuiu ao longo da campanha: a maior parte das perdas ocorreu no caminho até Moscou, não na volta. Esta é uma representação do fenômeno, não uma indicação de dados exatos.
As perdas do verão resultaram de doenças, fome e soldados que ficaram para trás. O tifo e a disenteria acompanhavam as colunas, os comboios de suprimentos não conseguiam acompanhar a marcha, e os cavalos morriam por falta de alimento, fazendo a artilharia e o abastecimento ficarem ainda mais para trás.
A tomada de Moscou não resolveu nada. Não houve negociações, a cidade estava em chamas e não havia suprimentos nela. Esperar em uma cidade vazia significava perder o tempo que restava antes da chegada do frio.
O frio russo destruiu o Grande Exército: até o inverno, tudo corria conforme o plano.
A maior parte do exército foi perdida no verão e no outono, antes das primeiras geadas fortes. O frio completou a retirada, mas não a iniciou.
A versão que atribuía tudo às geadas surgiu cedo e era conveniente para todos: explicava a derrota pelas circunstâncias, não pelas decisões. A própria campanha continua sendo um exemplo clássico de erro de planejamento, não de azar.
O principal erro pode ser resumido assim: o plano dependia das ações do inimigo. Ele só funcionava se o inimigo aceitasse lutar e não tinha uma alternativa para o caso de recusa.
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Fontes
- O objetivo da campanha de 1812 era obrigar a Rússia a cumprir o Bloqueio Continental por meio de uma batalha decisiva
- as principais perdas do exército ocorreram antes da ocupação de Moscou e estavam ligadas a doenças, falta de suprimentos e soldados que ficaram para trás, não às geadas do inverno