Como se instala a fome
- Más colheitas ou perda de rendimentos
- Preços disparam, alimentos inacessíveis
- Reservas seguem quem paga: cidades, exportação
- Estradas, direitos e decisões determinam a chegada da ajuda
O segundo ponto é fundamental. Não passa fome quem não tem alimentos por perto, mas quem não tem como os pagar. Um trabalhador rural que perde o emprego por causa de uma má colheita perde o acesso aos alimentos antes de estes acabarem fisicamente.
Daqui resulta uma observação que, à primeira vista, pode parecer cínica. Durante muitas catástrofes, os alimentos continuavam a ser exportados das regiões afetadas pela fome, porque os compradores com dinheiro estavam fora, enquanto dentro já não havia dinheiro.
O que mais importa
Uma observação conhecida dos investigadores da fome é que quase nunca ocorrem grandes fomes onde existe imprensa livre e autoridades responsáveis perante a população. Não porque haja mais alimentos, mas porque a crise se torna conhecida antes de ser irreversível.
O mecanismo é simples. A fome desenvolve-se ao longo de semanas e meses, e um alerta dado a tempo permite levar alimentos ou dar dinheiro às pessoas. Onde é perigoso denunciar a crise, o alerta chega tarde demais.
É por isso que a ajuda moderna assume cada vez mais a forma de pagamentos em dinheiro, em vez da distribuição de alimentos. Se houver alimentos na região, o dinheiro funciona mais depressa e não destrói o comércio local, que de outra forma não consegue resistir à concorrência dos alimentos gratuitos.
Também funcionam restrições que parecem insignificantes: limitar as exportações, controlar a revenda e apoiar os transportes. São precisamente estas medidas aborrecidas que, na maioria das vezes, separam um ano difícil de uma catástrofe.
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Fontes
- Os estudos sobre a fome descrevem-na como uma perda de acesso aos alimentos, e não apenas como uma escassez física: durante várias grandes catástrofes, a exportação de alimentos das regiões afetadas continuou. É assinalada uma relação entre a ausência de grandes fomes e a existência de imprensa livre e de uma governação responsável perante a população