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Como se transforma a fome numa arma

Redação Miqo · 2 fontes

Como funciona

  • Bloquear estradas. É o método mais comum: a comida permanece no país, mas não consegue chegar onde faz falta.
  • Confiscar reservas. As requisições junto da população transformam um ano de más colheitas numa catástrofe, porque retiram precisamente a reserva.
  • Destruir o armazenamento. Armazéns, moinhos, silos e captações de água: sem transformação e armazenamento, a comida estraga-se antes de chegar.
  • Impedir a ajuda. Recusar a passagem de carregamentos humanitários torna inútil a ajuda externa, mesmo quando já está reunida.

O primeiro ponto explica o essencial. A fome no mundo moderno quase nunca se deve à falta física de comida num país - deve-se ao acesso: quem tem o direito de passar, comprar, receber e transportar.

O segundo ponto é especialmente destrutivo porque atinge a reserva. Uma exploração agrícola sobrevive a um ano mau graças à reserva; retirar essa reserva transforma um ano difícil num ano mortal.

O que diz a lei

Privar intencionalmente a população civil de bens necessários à sua sobrevivência é proibido pelo direito internacional humanitário; algumas resoluções afirmam explicitamente que usar a fome como método de guerra é inadmissível. Provar a intenção, porém, é extremamente difícil.

A dificuldade está em quase tudo ter duas explicações possíveis. Uma ponte destruída pode ser uma necessidade militar ou uma forma de privar as pessoas de comida; um comboio atrasado pode estar a ser sujeito a uma verificação de segurança ou a ser impedido de levar ajuda. Distinguir uma coisa da outra exige documentos e tempo.

É aí que entra o trabalho de quem documenta estas situações. Recolhem-se dados sobre os preços nos mercados, a circulação dos carregamentos e o estado de saúde das crianças - e, em conjunto, constrói-se um quadro que nenhum episódio isolado permite obter.

As crises de fome modernas estão quase todas na extremidade direita: a questão é o acesso, não a existência de comida
Não há comida fisicamenteHá comida, mas não há acesso

Os historiadores alertam também para a necessidade de cautela. Mesmo décadas depois, pode ser impossível distinguir uma privação deliberada de uma gestão incompetente e de uma sucessão de circunstâncias - e muitos casos continuam a ser alvo de debate.

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Fontes

  1. O direito internacional humanitário proíbe usar a fome contra a população civil como método de guerra e destruir objetos necessários à sobrevivência
  2. na prática, distinguir a privação intencional do acesso das consequências de ações militares ou de erros de gestão exige uma recolha sistemática de dados