Sinais no próprio texto
- Sentimentos fortes antes dos factos: primeiro o medo ou a indignação, depois os pormenores
- Uma divisão entre nós e os outros, em que os outros não têm nomes nem diferenças entre si
- Uma explicação para todos os acontecimentos ao mesmo tempo, sem exceções nem acasos
- A fonte não é identificada: «diz-se», «sabe-se», «segundo os dados», sem indicar de quem
- Atacar a pessoa em vez de contestar a afirmação
- Repetir exatamente a mesma formulação em lugares diferentes
O último ponto é o mais prático. Se várias fontes aparentemente independentes usam exatamente a mesma formulação, é provável que não sejam independentes: não coincidem apenas as conclusões, mas também as próprias palavras.
Também importa aquilo que não está no texto. Uma mensagem propagandística normalmente não contém pormenores verificáveis - datas, números acompanhados da fonte, nomes -, porque cada um desses pormenores permite fazer uma verificação.
Como mudou
O modelo antigo exigia controlar todas as fontes. Quando passaram a existir fontes a mais, o objetivo mudou: bastava encher o espaço de versões contraditórias para que desistisses e deixasses de tentar perceber.
É aí que entra a tática da enxurrada. Um acontecimento é acompanhado por várias explicações incompatíveis ao mesmo tempo, e nenhuma delas tem de ser convincente: é a própria incompatibilidade que funciona.
Também é útil lembrar o espelho. As mesmas táticas aparecem de todos os lados, e pensar «gosto disto, por isso deve ser verdade» prejudica a tua capacidade de reconhecer propaganda mais depressa do que qualquer interferência externa.
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Fontes
- Entre os sinais consistentes de mensagens propagandísticas estão o recurso à emoção, uma imagem generalizada do inimigo, uma única explicação, a ausência de fontes verificáveis e a repetição literal de formulações
- a estratégia de encher o espaço informativo de versões contraditórias é descrita separadamente