Como funcionava
As primeiras restrições duravam menos: trinta dias. Mais tarde, o período foi prolongado para quarenta, e foi esse número que deu o nome à quarentena. Porquê quarenta? Não se sabe ao certo: apontam-se as ideias médicas da época e o simbolismo religioso do número.
- 1348Depois da chegada da peste, as cidades começam a fechar as portas e a impedir a entrada de forasteiros.
- 1377Numa cidade sob controlo veneziano, os recém-chegados passam a ter de aguardar obrigatoriamente.
- Séc. XVO período é prolongado e surge a própria palavra. São construídas ilhas de isolamento.
- Mais tardeOs portos do Mediterrâneo adotam o sistema e, depois, também os do norte da Europa.
O essencial não era a espera em si, mas o lugar. Para a quarentena, foram reservadas ilhas separadas, com edifícios, armazéns e pessoal: as pessoas e as mercadorias eram descarregadas ali, e não na cidade. Era já um sistema, não uma proibição.
Entretanto, as mercadorias não ficavam simplesmente paradas. Eram arejadas, espalhadas e, por vezes, fumigadas. As ideias sobre a causa da doença estavam erradas, mas a passagem do tempo funcionava independentemente da explicação.
A medida funcionou não porque a causa tivesse sido compreendida corretamente, mas porque o período era superior ao tempo que a doença demorava a manifestar-se. A ação certa baseada numa explicação errada.
Porquê ali
A cidade vivia do comércio marítimo e recebia navios de todo o Mediterrâneo. A doença chegava regularmente com eles, e a ligação entre a chegada de um navio e um surto era visível a olho nu.
A segunda razão era a estrutura do poder. A decisão exigia obrigar os comerciantes a perder semanas e dinheiro, e só um conselho municipal forte, capaz de impor a medida à própria nobreza, podia fazê-la cumprir.
A terceira era o dinheiro. Manter as ilhas, a guarda e os armazéns era caro. Só as repúblicas comerciais ricas podiam suportar um sistema assim, e foram precisamente elas as primeiras a construí-lo.
Também importa considerar o preço de um sistema assim. A espera atrasava os prazos de entrega e levava alguns comerciantes à ruína, enquanto, durante os surtos, também morriam nas ilhas pessoas saudáveis que tinham sido enviadas para lá juntamente com as doentes. A medida funcionava, mas era dura.
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Fontes
- A prática de deter os navios primeiro durante trinta e depois durante quarenta dias consolidou-se nos territórios venezianos na segunda metade do século XIV e deu o nome à quarentena
- foram reservadas ilhas separadas, com edifícios e pessoal, para o isolamento