Como aconteceu
- 1807O tráfico transatlântico de escravizados é proibido. A escravidão continua legal: apenas a importação de novas pessoas é proibida.
- 1833A escravidão é abolida nos territórios britânicos, com indenização e um período de transição de trabalho forçado.
- década de 1850Os transportes clandestinos continuam por décadas. Esquadras de interceptação capturam parte dos navios, enquanto os demais conseguem passar.
- 1888O Brasil abole a escravidão, tornando-se o último país do Hemisfério Ocidental a fazê-lo. Oitenta anos se passaram desde a primeira proibição do tráfico.
O intervalo entre a primeira e a última data é o principal fato dessa história. A proibição do tráfico não libertou ninguém que já estivesse escravizado, e gerações inteiras nasceram e morreram entre as duas decisões.
Além disso, a proibição da importação piorou a situação em alguns lugares. Como não era mais possível trazer novas pessoas, o valor das que já estavam escravizadas aumentou, assim como o controle sobre elas e o tráfico interno.
O que substituiu o trabalho escravizado
Nas plantações, entrou um sistema de trabalho contratado: pessoas eram trazidas da Índia e da China por vários anos em troca da viagem e de moradia. Formalmente, era um contrato; na prática, significava dívida, uma viagem sem volta e a impossibilidade de sair antes do fim do prazo.
Mais de 1 milhão de pessoas passaram por esse sistema ao longo de várias décadas. Seus descendentes representam uma parcela significativa da população das ilhas do Caribe, de Maurício, de Fiji e de vários países da América do Sul.
A economia da própria África também mudou. Em vez de exportar pessoas, as empresas europeias passaram a exportar óleo de palma, borracha e outras mercadorias, enquanto o trabalho forçado no local continuou por muito tempo.
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Fontes
- A proibição do tráfico transatlântico de escravizados e a abolição da escravidão foram medidas diferentes, separadas por décadas
- depois da abolição, as plantações usaram amplamente trabalhadores contratados da Ásia, enquanto os transportes ilegais continuaram até a segunda metade do século XIX