Onde está o mistério
Imagine uma floresta infinita. Para qualquer lado que você olhasse, seu olhar acabaria encontrando um tronco: quanto mais longe, menores seriam as árvores, mas elas seriam mais numerosas. Uma parede contínua de troncos seria inevitável.
Com um Universo infinito e eterno, aconteceria a mesma coisa. As estrelas distantes seriam mais fracas, mas o número delas cresceria mais rápido do que seu brilho diminuiria. Somando tudo, teríamos um céu brilhando de maneira uniforme e intensa. À noite, vemos exatamente o contrário, e isso exige uma explicação.
O céu é escuro porque as estrelas distantes são fracas demais, e a poeira entre elas absorve sua luz.
A pouca intensidade é compensada pela quantidade, e a poeira não resolve o problema: depois de absorver luz durante séculos, ela teria se aquecido e brilharia por conta própria. Essa objeção surgiu antes do aparecimento da cosmologia moderna.
A resposta estava no tempo
O Universo tem uma idade, e a luz não se propaga instantaneamente. Isso significa que vemos apenas a parte dele de onde a luz teve tempo de chegar até nós. Há estrelas mais distantes, mas sua imagem ainda não chegou.
A escuridão do céu noturno é uma consequência direta do fato de o Universo ter tido um começo. Caso contrário, o céu inteiro brilharia.
A expansão também contribui. A luz de fontes muito distantes se estica durante o caminho e passa para comprimentos de onda invisíveis ao olho humano. Parte da radiação do Universo primordial realmente chega até nós de todas as direções, só que não como luz, e sim como uma fraca emissão de rádio.
O resultado é bonito: o céu realmente brilha de maneira uniforme em todas as direções, como o paradoxo previa. A diferença é que detectamos esse brilho com instrumentos, não com os olhos, e ele esfriou até ficar a alguns graus acima do zero absoluto.
Por que essa pergunta é importante
Essa pergunta era feita séculos antes de existirem telescópios potentes o bastante para investigá-la, e mostrava que havia algo errado com a imagem de um Universo eterno e imutável. Uma observação acessível a qualquer pessoa à noite tornou-se um argumento a favor de que o mundo teve um começo.
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Fontes
- A pergunta é conhecida como paradoxo de Olbers e é discutida desde o século XVII. A explicação moderna se baseia na idade finita do Universo observável e no desvio para o vermelho da radiação distante