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Como é a vida na prisão

Redação Miqo · 2 fontes

Como é o dia

  1. Toque de alvorada
  2. Verificação
  3. Trabalho ou aulas
  4. Toque de recolher

O horário é igual todos os dias e não depende da vontade de ninguém. Visto de fora, parece ordem; por dentro, parece falta de escolha: até pequenas coisas, como a hora de comer ou a possibilidade de fechar uma porta, não dependem da pessoa.

Os investigadores descrevem esta consequência como a habituação à falta de autonomia. Ao fim de vários anos, a pessoa deixa de planear e de tomar decisões, porque essas capacidades deixam de ser usadas, e, depois da libertação, são necessárias de imediato e todas ao mesmo tempo.

O que determina o resultado

  • Ligações ao exterior. Manter as relações com a família é um dos indicadores mais fiáveis de que a pessoa voltará ou não à prisão.
  • Trabalho e formação. A possibilidade de aprender uma profissão reduz significativamente a probabilidade de uma nova pena de prisão.
  • Um lugar para onde ir. Ter alojamento e algum dinheiro nas primeiras semanas depois da libertação faz uma enorme diferença.
  • Sobrelotação. A sobrelotação está associada a mais violência e ao facto de os programas educativos deixarem de funcionar.

Vale a pena sublinhar o primeiro ponto. É mais eficaz do que a maioria das medidas dentro do estabelecimento, e é por isso que o acesso a visitas e chamadas telefónicas é discutido não como uma concessão, mas como uma questão de segurança pública.

O terceiro ponto explica a elevada taxa de regressos nos primeiros meses. A pessoa sai sem documentos, alojamento ou trabalho, e tem de resolver tudo ao mesmo tempo e rapidamente. É precisamente disso que tratam os programas de acompanhamento após a libertação.

Também se desenvolve no interior uma hierarquia informal, com regras próprias, muitas vezes mais rígidas do que as oficiais. Ela preenche o que não é regulado pela administração e determina em grande medida a vida quotidiana.

A comparação dos sistemas de diferentes países mostra resultados muito variados. Onde o foco está na manutenção dos laços, na formação e na preparação para a libertação, a proporção de pessoas que regressam é significativamente mais baixa, e esta é a conclusão mais consistente dos dados disponíveis.

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O que torna especialmente difícil regressar à vida normal?

Fontes

  1. Os estudos sobre os sistemas prisionais identificam a habituação à ausência de decisões autónomas como um fator específico das dificuldades após a libertação
  2. a manutenção dos laços familiares, o acesso à formação e a existência de alojamento no momento da libertação estão associados a uma menor probabilidade de reincidência

A seguir na série «Prisão»

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