O quê e para quê
O terceiro ponto explica a aparente estranheza da mumificação: o cérebro era removido e deitado fora, enquanto o coração ficava dentro do corpo. Acreditava-se que era o coração que pensava e sentia, e que seria ele a ser pesado no julgamento.
Preserva o corpo. Sem o corpo, não havia base para aquilo que continuava a existir depois da morte, daí toda a técnica de mumificação.
Faz a viagem. O caminho era descrito como uma sucessão de portões e perguntas, e as respostas e os nomes corretos estavam escritos nos papiros colocados junto do corpo.
Passa pela pesagem. O coração era colocado numa balança, em oposição a uma pena. O equilíbrio significava que a pessoa tinha passado; o desequilíbrio, que não tinha passado.
Continua a viver. Depois, continuavam a ser necessários comida, utensílios, servos e tudo o que era familiar, por isso o túmulo era montado como uma casa, não como um armazém.
Havia também um sistema de reserva para o caso de uma desgraça. Se o corpo fosse destruído, uma estátua podia servir de suporte e, se os mantimentos desaparecessem, acreditava-se que as imagens de comida nas paredes funcionavam tão bem como a comida verdadeira.
Por isso, as pinturas nos túmulos não eram decoração. As cenas de lavoura, caça e banquete cumpriam a mesma função que os objetos: forneciam à pessoa morta aquilo que representavam.
E era também por isso que o nome era escrito no túmulo. O nome era considerado parte da pessoa, e apagá-lo da parede significava não mudar-lhe o nome, mas privá-la da existência - era exatamente isso que se fazia àqueles que se queria fazer esquecer.
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Fontes
- O equipamento funerário do Antigo Egito incluía mantimentos, figuras de trabalhadores, recipientes para os órgãos internos e textos com instruções para a viagem no mundo dos mortos
- o coração era deixado no corpo como órgão do pensamento e objeto da pesagem após a morte, enquanto o cérebro era removido durante a mumificação