Os druidas chegaram cerca de 2.000 anos atrasados
Você provavelmente já ouviu a associação entre Stonehenge e os druidas. Ela não foi inventada na Antiguidade: no século XVII, o antiquário John Aubrey chamou o círculo de pedras de templo dos sacerdotes celtas e, 100 anos depois, William Stukeley retomou a ideia. A datação por radiocarbono separou essas histórias: o fosso e o talude foram construídos por volta de 3.000 a.C., e os sarsens, por volta de 2500 a.C. Os druidas aparecem em fontes escritas quase 2.000 anos depois.
A versão sobre Merlin é mais antiga: no século XII, Geoffrey de Monmouth escreveu que o mago transportou as pedras da Irlanda, para onde gigantes as haviam levado.
Um povoado a 3 quilômetros de Stonehenge
Os construtores não viviam junto às pedras. Em Durrington Walls, a cerca de 3 quilômetros do círculo, arqueólogos escavaram um povoado neolítico: pisos de giz, lareiras e montes de ossos. A maioria dos ossos era de porco, sinais não do cotidiano, mas de banquetes: a carne era assada e descartada antes de ser totalmente comida. Isótopos nos dentes dos animais mostram que o gado era levado de centenas de quilômetros de distância: pessoas vinham de toda a ilha.
Os que ficaram aqui para sempre também foram examinados. Em fossas antigas na borda do local, estão os restos cremados de várias dezenas de pessoas. O estrôncio nos ossos preserva um vestígio do lugar onde alguém passou seus últimos anos, e, para parte dos enterrados, esse lugar não era a região.
Cerca de 4 em cada 10 pessoas examinadas passaram seus últimos anos longe de Stonehenge: os isótopos apontam para o oeste da Grã-Bretanha, de onde também vieram as pedras azuis.
O DNA antigo acrescenta uma reviravolta: os construtores eram descendentes de agricultores que vieram do sul da Europa, e sua linhagem aqui quase desapareceu. Depois de 2400 a.C., novas pessoas chegaram à ilha, e o conjunto genético, segundo estimativas, foi renovado em cerca de 9 décimos. Algumas alterações posteriores no círculo aconteceram na época delas.
Corda, madeira e muitas mãos
Eles não tinham nem metal nem roda. Os maiores sarsens pesam cerca de 25 toneladas e vieram de aproximadamente 25 quilômetros de distância, das colinas ao norte. As pedras azuis são mais leves, mas percorreram cerca de 230 quilômetros desde o País de Gales, e exatamente como isso aconteceu ainda é debatido. Em um experimento de arqueólogos londrinos, 10 pessoas bastaram para mover uma pedra de 1 tonelada sobre um trenó apoiado em toras.
Uma equipe puxa a corda contando em conjunto: inspira para ganhar fôlego e puxa ao expirar. Respire nesse ritmo, fica mais fácil imaginar o dia delas.
Erguer um pilar é outro tipo de tarefa: exige precisão, não força bruta. A sequência está visível nas próprias fossas: suas paredes deixaram marcas no giz.
Cave uma fossa inclinada. Uma parede era vertical, e a outra, inclinada: a pedra deslizava por ela com a base primeiro.
Puxe com cordas. O pilar era puxado até ficar na vertical com cordas e alavancas, mantendo a base apoiada na parede vertical.
Preencha o espaço. A fossa ao redor da base era preenchida com cascalho, e continua sustentando a pedra até hoje.
Coloque a travessa. Uma espiga no topo, um encaixe na travessa: uma técnica de marcenaria aplicada à pedra.
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Fontes
- Datações, Historic England
- sarsens e gado nos banquetes, Science Advances, 2020 e 2019
- restos mortais, Scientific Reports, 2018
- população, Nature, 2018