Onde está a contradição
Mesmo com naves lentas, uma civilização poderia ter povoado toda a galáxia em alguns milhões de anos, um período insignificante à escala cósmica. A galáxia tem mais de dez mil milhões de anos, por isso houve tempo de sobra.
Isso significa que alguém já devia ter aparecido e deixado vestígios, ou então há algo errado nesta cadeia de raciocínio. É a esta diferença entre a expectativa e a observação que chamamos paradoxo.
Principais explicações
- A barreira ficou para trásAlgum passo, como o surgimento da vida ou de uma célula complexa, é tão improvável que somos simplesmente uma exceção raríssima.
- A barreira está à frenteAs civilizações chegam a determinado estágio e extinguem-se. Nesse caso, o silêncio do céu é uma má notícia para nós.
- Mantêm-se em silêncioUma civilização avançada não tem de emitir sinais de rádio e pode evitar deliberadamente revelar-se.
- Procuramos malEscutamos uma faixa estreita, durante pouco tempo e numa pequena parte do céu. A ausência de um sinal numa busca assim significa muito pouco.
Vale a pena lembrar o quarto ponto sempre que se fala de silêncio. Tendo em conta a dimensão da tarefa, as nossas buscas são como tirar um copo de água do oceano e concluir que não há peixes lá.
O segundo ponto é o mais inquietante. Se a barreira difícil estiver à frente, e não atrás de nós, encontrar vida simples noutros planetas seria mais um mau sinal do que um bom sinal para nós.
Há também uma ressalva técnica. As nossas transmissões têm ficado mais fracas e direcionadas ao longo dos anos: a radiodifusão analógica está a ser substituída pelo cabo e por feixes estreitos. Uma civilização semelhante à nossa só faz ruído nas ondas de rádio durante um curto período da sua história.
Daqui resulta a conclusão a que chegam muitos investigadores. O silêncio do céu ainda não é prova de ausência, mas sim um indicador dos limites da nossa sensibilidade e de que não estamos a procurar nos lugares certos nem da forma certa.
Em que consiste o paradoxo?
Qual é a explicação mais inquietante?
Fontes
- O paradoxo é formulado como uma contradição entre a elevada probabilidade de existência de civilizações extraterrestres e a ausência de provas observáveis
- entre as explicações consideradas estão a raridade de transições evolutivas fundamentais, a hipótese do Grande Filtro, a ausência de transmissões intencionais e o alcance limitado das buscas realizadas
A seguir na série «Vida no Universo»
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