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O que foi a epidemia da dança

Redação Miqo · 3 fontes

Como se manifestou

  1. julhoUma mulher começa a dançar na rua e continua durante vários dias seguidos.
  2. uma semanaJuntam-se-lhe dezenas de habitantes da cidade. A dança continua sem música e sem parar.
  3. agostoAs autoridades decidem que a cura passa por deixar a dança continuar: disponibilizam espaços e contratam músicos.
  4. outonoO fenómeno acaba por desaparecer. Os registos mencionam pessoas que morreram de exaustão.

A decisão das autoridades parece estranha, mas seguia o pensamento médico da época: acreditava-se que o sangue quente tinha de sair do corpo através do movimento. Na prática, isso apenas prolongou o que estava a acontecer.

Este não foi o único caso: surtos semelhantes tinham sido descritos na região em séculos anteriores. Ou seja, as pessoas já dispunham de uma forma cultural pronta para esse tipo de estado.

Que explicações foram propostas

posição da maioria dos historiadores
Envenenamento por cravagemReação psicogénica coletiva

A teoria do fungo nos cereais é popular, mas não se ajusta bem à descrição. O envenenamento por cravagem provoca convulsões e alterações do fluxo sanguíneo, que tornam fisicamente impossível dançar de forma coordenada durante muito tempo.

A teoria mais aceite é a de uma reação coletiva a um stresse extremo. Foi um ano de fome, a cidade tinha sofrido doenças e más colheitas, e a tradição local incluía a crença num santo que provocava uma dança incontrolável.

Também foram descritos surtos semelhantes no século XX: ataques de riso numa escola, desmaios coletivos em fábricas e sintomas sem causa física em grupos de pessoas. Considera-se que o mecanismo é o mesmo; só muda a forma.

É importante perceber que os participantes não estavam a fingir. Os sintomas são vividos como reais, e uma pessoa não consegue pará-los simplesmente por decidir fazê-lo - é por isso que os historiadores rejeitam explicações baseadas em fraude ou moda.

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Fontes

  1. O surto de 1518 em Estrasburgo foi registado em crónicas da cidade e em registos médicos da época
  2. foram relatados dezenas de participantes e casos mortais. A teoria do envenenamento por cravagem não se ajusta bem ao quadro clínico do ergotismo. A explicação mais comum é uma doença psicogénica coletiva num contexto de fome, epidemias e crenças locais
  3. também foram descritos episódios semelhantes no século XX