O que causa o atraso
O segundo ponto ajuda a explicar séries históricas de crimes. Muitos casos conhecidos estão ligados ao cuidado de pessoas doentes e de crianças: aí, a morte não suscita dúvidas por si só e é vista como consequência de uma doença.
O quarto ponto é evidente nas análises de erros judiciais. Os testemunhos que não correspondem à imagem esperada são mais frequentemente descartados como erros de memória, e isto aplica-se não só ao género, mas também à idade e ao estatuto social.
O terceiro bloco remete para uma observação independente: em circunstâncias comparáveis, as mulheres recebem, em média, penas mais brandas. Parte das diferenças explica-se pela natureza dos casos e pelo papel desempenhado no crime, mas não toda.
Porque é que isto é mau para toda a gente
O enviesamento funciona nos dois sentidos. Enquanto a investigação se agarrar a uma imagem, também avalia os homens com base nela: um homem inocente que se pareça com o perfil esperado fica sob suspeita mais cedo e permanece mais tempo sob investigação.
Daqui resulta uma recomendação geral para as investigações: construir hipóteses a partir das provas, não de uma imagem, e verificar deliberadamente a hipótese que contradiz a primeira impressão. Formalmente, é isto que significa considerar alternativas.
A história também mostra o enviesamento oposto. Durante as perseguições às bruxas, as mulheres eram as primeiras a ser suspeitas, e o mesmo mecanismo funcionava na direção contrária: a investigação procurava alguém que correspondesse à imagem esperada, e não alguém para quem as provas apontassem.
Porque é que a versão que envolve uma mulher é investigada mais tarde?
Quem mais é prejudicado por este enviesamento?
Fontes
- Os estudos sobre investigações assinalam que a imagem estereotipada do criminoso influencia a ordem pela qual as hipóteses são verificadas e a forma como os testemunhos são avaliados
- foram descritas diferenças na severidade das penas em circunstâncias comparáveis, mas estas não são explicadas apenas pelo género
A seguir na série «Mulheres criminosas»
2 artigos na íntegra no site, mais 2 na app
