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Redação Miqo · 1 fonte

Como era

Repara no segundo caso: o veredicto não era determinado pela queimadura em si, mas pelo seu aspeto alguns dias depois. A decisão era tomada pelo sacerdote que examinava a ferida, e era aí que o sistema ganhava alguma flexibilidade.

Porque podia funcionar

Há uma explicação que parece inesperada e que se encaixa bem nas fontes. Se uma pessoa acredita sinceramente que uma força superior irá identificar o culpado, o culpado espera ser desmascarado, enquanto o inocente espera ser absolvido. Ambos comportam-se de forma diferente ainda antes da prova.

O culpado tinha mais probabilidade de aceitar um acordo, confessar ou evitar o julgamento. Até à prova chegavam sobretudo aqueles que tinham a certeza de ter razão, e os registos contêm, de facto, muitas absolvições, muito mais do que seria de esperar de um ferro em brasa.

A prova filtrava as pessoas não através da queimadura, mas antes: chegavam até ela sobretudo as pessoas que acreditavam não ter nada a temer.

A isto junta-se a liberdade de quem avaliava o resultado. O sacerdote conhecia a comunidade, conhecia os rumores e podia interpretar a ferida como entendesse. Formalmente, a decisão era tomada pela força superior; na prática, por uma pessoa que tinha informações e razões para decidir bem.

Como terminou

No início do século XIII, a Igreja proibiu o clero de participar nestas provas e, sem essa bênção, elas perderam o sentido. Foram gradualmente substituídas pelos depoimentos de testemunhas, pela investigação e pelos julgamentos com júri: uma verificação humana em vez de um julgamento divino.

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Fontes

  1. As ordálias eram usadas na Europa medieval até à proibição da participação do clero, decidida pelo Quarto Concílio de Latrão, em 1215. A explicação baseada na seleção dos participantes que acreditavam foi proposta em trabalhos sobre a economia do direito