Quatro obstáculos
O terceiro ponto é o que mais surpreende. A atmosfera marciana é mais de 100 vezes mais rarefeita que a da Terra: o paraquedas não consegue reduzir a velocidade o suficiente. Ao mesmo tempo, ela é densa o bastante para causar um aquecimento intenso, então a nave não pode pousar usando apenas os motores.
Por isso, foram usados sistemas complexos de pouso nos rovers. Mas a massa deles é medida em toneladas, enquanto uma nave com tripulação e suprimentos seria dezenas de vezes mais pesada, e ainda não há formas conhecidas de pousar algo tão pesado.
O segundo número explica a principal característica da expedição. Os planetas se aproximam uma vez a cada pouco mais de 2 anos, e não dá para partir antes: se algo der errado em Marte, será preciso esperar mais de 2 anos.
O terceiro número elimina o tipo de controle habitual a partir da Terra. Com um atraso de dezenas de minutos, qualquer conversa vira uma troca de cartas, e a tripulação precisa tomar todas as decisões sozinha, sem orientação.
O que já está sendo testado
O isolamento é testado em experimentos em terra: grupos de pessoas ficam confinados por meses em módulos com atraso na comunicação e suprimentos limitados. É ali que surgem conflitos, problemas na rotina e quedas de motivação.
A produção de combustível no local também está sendo testada: um dos rovers levava um instrumento que produzia oxigênio a partir da atmosfera local. As quantidades ainda são simbólicas, mas o princípio foi confirmado.
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Fontes
- Os principais obstáculos de uma expedição tripulada são a exposição à radiação além da magnetosfera, a perda de massa óssea e muscular, o pouso de grandes massas em uma atmosfera rarefeita e a necessidade de produzir combustível no local
- as janelas de lançamento se repetem aproximadamente a cada 26 meses