A dimensão da tarefa
No final da guerra, milhões de pessoas deslocavam-se pela Europa: pessoas levadas à força para trabalhar, refugiados e pessoas libertadas dos campos. As crianças perdiam-se constantemente neste fluxo: durante os bombardeamentos, as evacuações e as separações familiares. Muitas acabavam em instituições de acolhimento de países estrangeiros.
A procura era feita por grupos criados especificamente no âmbito de organizações internacionais. Visitavam instituições de acolhimento e aldeias, elaboravam listas, comparavam-nas com as declarações dos familiares e mantinham um enorme ficheiro, com uma ficha para cada pessoa.
Recolher declarações. Os familiares forneciam informações sobre as pessoas desaparecidas: nome, idade e local onde tinham sido vistas pela última vez.
Visitar instituições. Os funcionários registavam todas as crianças sem documentos, anotando o seu aspeto e as circunstâncias em que tinham chegado.
Comparar sinais. Procuravam correspondências com base em datas, cicatrizes, sinais distintivos e fragmentos de informação sobre os pais.
Confirmar e reunir. Confirmavam a correspondência através de verificações adicionais e só depois iniciavam o processo de reunificação.
Os ficheiros tornaram-se enormes: milhões de fichas organizadas foneticamente, para que fosse possível encontrar as pessoas apesar das diferentes grafias dos seus nomes. Alguns destes arquivos continuam ativos e ainda aceitam pedidos de descendentes.
Crianças que não se lembravam do nome
A parte mais difícil do trabalho envolvia as crianças pequenas. Uma criança de 2 ou 3 anos não sabe o apelido nem a cidade e, se tiver sido levada ainda mais pequena, pode nem se lembrar da língua. Eram identificadas através de pequenos pormenores: o bordado da roupa, uma canção que cantavam ou uma palavra pronunciada com determinado sotaque.
Por vezes, uma marca na camisa de uma criança ou uma melodia de que se lembrava era o único registo da sua identidade.
Algumas crianças nunca foram encontradas, enquanto outras só o foram décadas mais tarde. Há casos conhecidos de pessoas que só descobriram as suas origens já na velhice, através de um pedido ao arquivo feito pelos próprios netos.
Desta experiência nasceram regras que continuam em vigor. Uma criança separada da família é registada imediatamente, tudo o que se sabe sobre ela é anotado e a adoção não é apressada enquanto a procura não estiver concluída. Na altura, foram precisamente as decisões apressadas que se revelaram mais difíceis de desfazer.
Como encontravam uma criança que não se lembrava do nome?
Porque não apressavam a adoção de uma criança separada?
Fontes
- A procura era feita por serviços associados à UNRRA e ao Comité Internacional da Cruz Vermelha
- o maior arquivo sobre pessoas deslocadas, reunido em Bad Arolsen, contém milhões de fichas e continua a tratar pedidos
A seguir na série «Crianças na guerra»
3 artigos na íntegra no site, mais 4 na app
