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Como chegou ao fim a caça às bruxas

Redação Miqo · 2 fontes

Como aconteceu

  1. Séc. XVIVagas de acusações espalham-se pela Europa, e a confissão é considerada a principal prova.
  2. Séc. XVIIComeçam a surgir tratados escritos por pessoas que tinham acompanhado os processos por dentro.
  3. Séc. XVIIIOs tribunais abandonam a tortura, e as confissões deixam de surgir automaticamente.
  4. Mais tardeAs leis continuam formalmente em vigor, mas os processos já não chegam a uma sentença.

O segundo ponto é especialmente importante. As objeções mais convincentes não foram escritas por céticos de fora, mas por sacerdotes e juristas que tinham acompanhado pessoalmente os condenados. O argumento deles não era «a bruxaria não existe», mas sim «não é possível determinar a verdade através deste método».

O argumento era este: sob tortura, qualquer pessoa confessa, incluindo uma pessoa inocente. Portanto, a confissão não permite distinguir entre culpados e inocentes e não pode servir como prova. Este argumento revelou-se mais forte do que as discussões teológicas precisamente por ser processual.

Não foi uma discussão sobre a fé que travou a prática, mas uma discussão sobre as provas. Retirou-se a forma de obter confirmações e desapareceram também as sentenças.

Porque terminavam as vagas de forma abrupta

Os surtos isolados terminavam quase sempre da mesma forma: as acusações chegavam a pessoas que era impossível acusar, como as mulheres de funcionários, sacerdotes e familiares de juízes. Depois disso, as autoridades superiores interrompiam o processo.

Um conhecido caso americano terminou exatamente assim. Quando as acusações começaram a voltar ao ponto de partida e o número de suspeitos se tornou embaraçosamente elevado, o governador proibiu a aceitação de testemunhos sobre visões, e os processos desmoronaram em poucas semanas.

O mecanismo de expansão era o mesmo que noutros processos em massa: cada confissão exigia a nomeação de cúmplices. Enquanto isto funcionava, a vaga crescia por si só, e só uma mudança das regras a podia travar, não a análise de processos individuais.

Também vale a pena recordar a geografia. Os processos não decorriam de forma uniforme: nalguns lugares quase não existiam, enquanto noutros os números chegavam aos milhares. A diferença explicava-se sobretudo pela organização dos tribunais, e não por diferenças nas crenças da população.

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Fontes

  1. O fim dos processos por bruxaria está associado a mudanças na prática judicial: o abandono da tortura e a recusa em aceitar testemunhos sobre visões
  2. a crítica interna foi publicada, entre outros, por membros do clero que acompanhavam os condenados