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Como crimes são resolvidos muitos anos depois

Redação Miqo · 1 fonte

Por que um vestígio pode ficar 30 anos sem significar nada

Nos primeiros dias, a investigadora recolhe tudo: uma mancha no tecido, uma bituca de cigarro, um swab da maçaneta. Parte disso é inútil na época - não há com o que comparar. Um perfil de DNA não revela um nome sozinho: ele funciona apenas como uma chave para uma lista em que esse nome já existe. Sem lista, não há resposta, mesmo que o vestígio esteja literalmente nas mãos.

Ao mesmo tempo, a fila cresce. O FBI calcula a proporção de assassinatos solucionados a cada ano desde meados dos anos 1960, e ela caiu bastante: naquela época, cerca de 9 em cada 10 casos eram solucionados; nos últimos anos, cerca da metade. As causas são debatidas: testemunhas falam menos com a polícia, e a carga de trabalho dos detetives é maior. Mas o resultado é um só - a cada ano, há mais caixas de provas e casos sem resposta.

1965≈91%
1995≈65%
2020≈54%

Essas caixas são todo o acervo. Em muitos países, as provas materiais de crimes graves são guardadas por décadas exatamente para isso: não porque esperem uma nova versão dentro do caso, mas porque esperam um acontecimento de fora - em um banco de dados, em um laboratório ou na vida pessoal de alguém. Se a caixa se perdeu ou a amostra estragou, não há o que esperar.

Como o DNA encontra alguém por parentes distantes

Desde 2018, uma técnica chamada genealogia genética forense passou a ser amplamente usada. O perfil obtido na cena do crime é enviado não para um banco de dados policial, mas para serviços abertos, aos quais as pessoas enviam amostras por conta própria para buscar antepassados. Não é preciso haver correspondência com a própria pessoa que cometeu o crime - primos de terceiro grau bastam. Depois, uma genealogista completa a árvore para cima, até os trisavós em comum, e desce de volta, eliminando ramos por idade, sexo e local de residência. O resultado não é uma prova, mas uma lista curta de pessoas de quem vale colher DNA diretamente.

  1. Vestígio
  2. Base de parentes
  3. Árvore
  4. Nome

Foi assim que, em abril de 2018, prenderam um suspeito de uma série de ataques e assassinatos na Califórnia nos anos 1970-80 - o caso era considerado sem esperança havia mais de 40 anos, e 2 anos depois ele se declarou culpado. Não foi ele que entrou no banco de dados, mas parentes distantes. O método nem sempre funciona: é preciso uma amostra aproveitável e parentes suficientes em bancos de dados abertos, e eles são bem mais numerosos entre pessoas de ascendência europeia - por isso, em muitos casos, ele simplesmente se cala.

  • A técnica avançou a análise aprendeu a ler vestígios que antes eram pequenos demais ou estavam deteriorados pelo tempo.
  • A base cresceu uma pessoa com quem não havia como comparar entrou nela muitos anos depois por outro motivo.
  • Alguém falou um casamento acabou, acabou o medo do cúmplice, morreu quem era acobertado.
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Por que um perfil de DNA pode não ajudar a investigação por anos?

Fontes

  1. Proporções de assassinatos solucionados - relatórios consolidados do FBI (UCR) dos EUA. Descrição do método - publicações sobre o caso californiano de 2018 e revisões de genealogia genética forense

A seguir na série “Casos não solucionados”

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