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Como funciona o efeito da vítima identificável

Redação Miqo · 2 fontes

Como isso foi medido

Os participantes eram convidados a ajudar: alguns ouviam a história de uma criança, com nome e foto; outros, sobre milhões de pessoas necessitadas; um terceiro grupo via as duas coisas. Os pesquisadores comparavam quanto as pessoas estavam dispostas a doar.

Uma criança identificada100
Duas crianças75
Só estatísticas45

O resultado mais inesperado veio do terceiro grupo. Acrescentar estatísticas à história de uma criança não aumentou a reação, mas a reduziu. Os números pareciam desligar a compaixão que as pessoas já sentiam por uma pessoa específica.

Uma explicação é que a compaixão funciona por meio de imagens mentais. Você consegue imaginar uma pessoa: o rosto, o quarto e o dia dela. Não consegue imaginar 1 milhão de pessoas, então uma abstração toma o lugar da imagem, e o sistema emocional não reage a ela.

Efeito da vítima identificável: reproduzido em diferentes situações

O que se conclui disso

A primeira consequência é prática: toda campanha de ajuda é construída em torno de uma história. Isso não é manipulação por si só, mas a única forma de atravessar nossa insensibilidade aos números.

A segunda é mais desconfortável. Nossa disposição para ajudar tem pouca relação com a dimensão da tragédia. Um acontecimento que afeta milhões pode provocar menos reação do que o destino de uma pessoa, e a distribuição da ajuda acaba sendo injusta.

Daí vem uma recomendação de pesquisadores dessa área: quando é preciso distribuir ajuda limitada, baseie-se no cálculo, não na força da reação. Seus sentimentos podem dizer a quem você quer ajudar, mas não onde a ajuda é mais necessária.

Também vale observar o outro lado. A capacidade de responder a uma pessoa não é um defeito, é o que torna a ajuda possível em primeiro lugar. O problema não está nessa capacidade, mas em tentar usá-la quando a contagem chega aos milhares.

Há também uma abordagem inversa que às vezes é testada: mostrar uma pessoa como representante de muitas. Ela funciona de forma irregular, porque mencionar a dimensão do problema traz de volta a mesma insensibilidade aos números.

Pesquisadores também destacam o sentimento de impotência. Quando uma tragédia parece grande demais, você pode começar a pensar que sua contribuição não vai mudar nada, e isso também reduz sua disposição para ajudar.

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Como muda a disposição para ajudar quando aumenta o número de vítimas?

Fontes

  1. A redução da disposição para ajudar conforme aumenta o número de vítimas foi descrita em pesquisas de psicologia das decisões
  2. acrescentar estatísticas à história de uma pessoa reduziu a reação

A seguir na série “Empatia”

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