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Por que o elogio não aumenta a autoestima

Redação Miqo · 1 fonte

Por que o elogio não fica

Alguém diz: "Você se saiu muito bem" - e, uma hora depois, não sobrou nada daquilo. Não é ingratidão. Seu cérebro compara a mensagem nova com o que já sabe sobre você e, se as duas coisas não combinam, é mais fácil explicar a mensagem do que reescrever essa imagem: ele foi educado, não viu os rascunhos, só precisava dizer alguma coisa.

Isso é chamado de autoverificação: a visão que você tem de si, por ser familiar, se mantém mais firme do que algo agradável. O elogio se fixa melhor onde você já tem confiança e pior onde mais precisa de apoio. Pela mesma razão, repetir frases como "eu sou incrível" não melhora o humor de pessoas com baixa autoestima: em um experimento, depois dessa repetição, o humor delas ficou até pior do que o das pessoas que não repetiram nada.

Não existem medições rigorosas sobre para onde vai um elogio no primeiro segundo. As proporções abaixo não são uma pesquisa, apenas uma ilustração: veja qual reação é a sua.

O que você faz com um elogio no primeiro segundo?

Dispenso: "imagina, não foi nada"45%
Verifico se é verdade ou só educação35%
Aceito e guardo comigo20%

Elogio pela inteligência funciona como condição

A segunda razão é mais séria. "Você é inteligente", "você é talentoso" parecem um presente, mas funcionam como uma condição. Se você é inteligente porque deu certo, na próxima vez em que não der, a conclusão será sobre você, não sobre a tarefa. Seu valor fica instável: sobe e desce junto com o resultado. Esse tipo de autoestima pode ser alto, mas é dependente - e você precisa mantê-lo o tempo todo.

Nos experimentos de Carol Dweck e seus colegas, as crianças recebiam elogios diferentes depois de resolver problemas. As que eram elogiadas pela inteligência passavam a escolher tarefas em que tinham certeza de que conseguiriam, e, depois de fracassar, tinham um desempenho pior. As elogiadas pelo esforço escolhiam com mais frequência uma tarefa mais difícil. O padrão se repetiu em diferentes estudos, mas a intensidade do efeito depende da amostra.

Avaliação

"Você é inteligente, você é capaz." Um veredito sobre você por inteiro - bom, mas frágil. O próximo erro o anula.

Ação

"Você reescreveu isso 3 vezes e conseguiu." Descreve o que você fez. Um erro não anula nada, é apenas o próximo passo.

A diferença não está na educação, mas no que fica dentro de você. Da primeira frase, você leva um rótulo que agora precisa defender. Da segunda, uma descrição do que pode repetir.

A autoestima cresce com o segundo tipo: com o acúmulo de provas de que você dá conta. A confiança de outra pessoa em você não substitui isso - ela diz mais sobre quem fala do que sobre você. O mecanismo em si aparece de forma consistente nas pesquisas, mas o quanto o elogio muda a autoestima é discutível: os números variam muito de um estudo para outro.

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Fontes

  1. J. Wood, E. Perunovic e J. Lee, Psychological Science, 2009 - autoafirmações positivas e humor em pessoas com baixa autoestima. C. Mueller e C. Dweck, Journal of Personality and Social Psychology, 1998 - elogios pela inteligência e pelo esforço