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Por que procrastinamos

Redação Miqo · 2 fontes

Seu cérebro conserta o humor, não a agenda

O arquivo está aberto, mas você atualiza o feed pela terceira vez. Parece que está faltando força de vontade. Na verdade, nos primeiros segundos diante da tarefa vem uma pontada: tédio, a névoa da incerteza, medo de que dê errado. E entra em ação o reparo mais rápido: fazer alguma coisa que traga alívio imediato.

O alívio vem na hora, e o cérebro registra a ligação: “adiou → passou”. A recompensa não é a série, mas o desconforto que desapareceu. Por isso, a vontade de adiar é maior quando você não sabe por onde começar ou quando será avaliado depois.

20%

dos adultos dizem, em pesquisas, que a procrastinação é uma característica constante

As demais pessoas procrastinam de vez em quando, e isso também não tem a ver com caráter. A mesma pessoa pode concluir dez tarefas com facilidade em um dia e travar completamente na décima primeira. A diferença não está na força de vontade, mas no sentimento ligado a cada tarefa.

O experimento do humor “congelado”

Em 2001, a equipe de Diane Tice deixou os participantes de mau humor e depois deu a eles um tempo para se preparar para um teste. Havia jogos e revistas por perto. Os participantes chateados procrastinaram bem mais que os tranquilos, como era previsível.

Aí vem a parte interessante. Disseram a algumas pessoas que o cheiro de uma vela na sala “congelava” o humor: não importava o que fizessem, elas não se sentiriam melhor. Nesse grupo, a diferença desapareceu, e os participantes chateados se prepararam tão bem quanto os demais. Quando adiar deixa de prometer alívio, perde o sentido.

O prazo realmente acelera as coisas: conforme se aproxima, não restam escolhas, e a tarefa finalmente é feita. Só que o resultado não melhora: na data de entrega, os estudantes que procrastinaram estavam mais estressados e tiraram notas mais baixas. A armadilha é que a conta não chega na hora. A tranquilidade vem agora, enquanto a correria e a noite maldormida ficam para depois, e já não parecem consequência daquela manhã em que você decidiu: “começo depois do almoço”.

Divida um prazo de uma semana pelos dias e você verá sempre a mesma troca.

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Um esquema, não uma medição: quanto mais perto do prazo, mais caro fica fazer o mesmo volume de trabalho.

Daí vem um caminho prático. Tentar se convencer a “tomar coragem” não adianta: você está discutindo com um sentimento, não com a agenda.

O que funciona é reduzir a própria pontada. Não “escrever o relatório”, mas “abrir o documento e digitar o título”. Quase não há nada para sentir diante de um passo tão pequeno, então não há do que fugir.

✓ FAÇA
  • Dê nome ao sentimento por trás da tarefa: tédio, medo, incerteza
  • Reduza o primeiro passo a uma ação que leve alguns minutos
  • Comece pela parte mais clara, não pela mais importante
✕ NÃO FAÇA
  • Esperar o humor certo: ele vem depois que você começa, não antes
  • Se repreender por ter travado: a culpa aumenta a vontade de se distrair
  • Planejar o dia inteiro em vez dos próximos cinco minutos
Teste seus conhecimentos1 / 2

Por que você sente vontade de adiar uma tarefa desagradável?

Fontes

  1. Timothy Pychyl (Universidade Carleton) e Fuschia Sirois: procrastinação é um problema de regulação das emoções, não do tempo. O experimento do “congelamento” do humor: Tice, Bratslavsky e Baumeister, 2001
  2. dados sobre estresse e notas: Tice e Baumeister, 1997

A seguir na série “Hábitos”

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