A parte estranha
Normalmente, o erro é explicado pela inexperiência, mas aqui é diferente. Em experimentos, as pessoas foram convidadas a estimar quanto tempo o próprio trabalho levaria e, depois, quanto tempo outra pessoa levaria para fazer exatamente o mesmo trabalho. A estimativa do próprio prazo era nitidamente mais otimista, embora a pessoa soubesse tanto sobre a tarefa quanto antes.
A diferença vem da perspectiva. Sobre o próprio trabalho, a pessoa pensa de dentro: imagina uma sequência de etapas, e cada uma parece rápida. Sobre o trabalho de outra pessoa, pensa de fora e se lembra de como tarefas assim costumam terminar.
A visão de dentro quase sempre pinta um cenário tranquilo. Ela deixa de fora o colega que fica doente, a aprovação esquecida, o arquivo que dá problema e as três coisinhas que aparecem no último dia. Cada coisinha é imprevisível por si só, mas, juntas, são totalmente previsíveis.
O que fazer
Uma estratégia prática não é melhorar a previsão, mas mudar a perspectiva. Em vez de perguntar "quanto tempo vou precisar?", faça outra pergunta: "quanto tempo tarefas assim costumam levar para pessoas como eu?" A segunda pergunta quase sempre dá uma resposta mais precisa.
Encontre casos parecidos. Procure tarefas suas do mesmo tipo ou tarefas de outras pessoas. Três a cinco exemplos bastam.
Use prazos reais, não planos. O que importa é quanto tempo isso levou de verdade, não quanto tempo você pretendia gastar.
Comece por esse número. Ele é a sua base. Depois, você pode ajustá-lo se a tarefa for realmente mais fácil ou mais difícil.
Faça um ajuste pequeno. Normalmente, as pessoas reduzem o número-base pela metade. Se você quiser fazer isso, é um sinal do viés.
Essa estratégia tem uma característica desagradável: dá respostas desagradáveis. A visão de fora geralmente aponta um prazo maior do que aquele que você gostaria de dizer, então é fácil rejeitá-la explicando que "este caso é diferente". É justamente aí que a estratégia costuma falhar.
Ela também funciona para as tarefas do dia a dia. Reforma, mudança, monografia, organização de documentos - em todos esses casos, ajuda lembrar não do seu próprio plano, mas de como as coisas aconteceram com pessoas que você conhece. Quanto maior a tarefa, maior a distância entre o plano e a realidade.
Qual é a parte estranha do erro de planejamento?
O que ajuda a estimar um prazo com mais precisão?
Fontes
- O erro de planejamento é descrito na psicologia da tomada de decisões
- a diferença entre as visões de dentro e de fora, assim como a estimativa baseada em casos semelhantes, foi reproduzida repetidamente em pesquisas
A seguir na série “Preguiça e motivação”
5 artigos na íntegra no site, mais 5 no app
