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Porque gostam mais de ti do que pensas

Redação Miqo · 2 fontes

Estás a comparar coisas diferentes

Quando te avalias, baseias-te na tua corrente de pensamentos: uma pausa constrangedora, uma piada parva, aquilo que te esqueceste de perguntar. A outra pessoa não viu nada disso. Viu alguém que sorria e mantinha a conversa, e é isso que avalia.

Além disso, a atenção funciona de forma seletiva. De uma conversa de 30 minutos, não te lembras do tom geral, mas de alguns momentos menos felizes: destacam-se porque te afetaram. São eles que moldam a avaliação final, embora representem uma parte minúscula da conversa.

onde te colocas
Como te avaliasComo a outra pessoa te avaliou

Isto foi testado diretamente: juntaram-se pessoas desconhecidas para conversarem e, depois, perguntaram a cada uma quanto tinha gostado da outra pessoa e quanto achava que tinha agradado a essa pessoa. Para quase todas, a segunda avaliação era inferior à primeira.

Porque é que a diferença não desaparece sozinha

Quase não há feedback. Ninguém diz em voz alta que gostou da conversa, e a cortesia parece igual quer exista interesse, quer não. Não tens forma de confirmar a tua suposição, por isso ela fica na tua cabeça, sem ser corrigida.

Parece-me que hoje estraguei tudo: falei demais.

Mas depois ele escreveu que a conversa tinha sido descontraída e interessante.

Isso é só cortesia.

Ou talvez simplesmente não te ouças de fora.

Os investigadores também observaram uma coisa curiosa: a diferença manteve-se durante meses entre as pessoas que continuaram em contacto. Ou seja, não se trata do nervosismo passageiro do primeiro encontro, mas de um erro persistente de avaliação que se prolonga.

Há também uma consequência prática. Quem tem a certeza de que não agradou escreve menos vezes primeiro e convida menos vezes para um novo encontro. As relações não avançam, não por causa da impressão causada, mas por causa de uma suposição errada sobre essa impressão.

Testa-te1 / 2

Porque podes pensar que agradaste menos depois de um encontro?

Fontes

  1. A diferença entre o quanto uma pessoa agrada e o quanto pensa que agradou - Boothby, Cooney, Sandstrom e Clark, 2018
  2. o efeito foi replicado em vários formatos de interação

A seguir na série «Primeiros encontros»

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