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Porque é que ninguém consegue ler o manuscrito há 600 anos

Redação Miqo · 2 fontes

O que se sabe com certeza

A datação por radiocarbono situa o pergaminho na primeira metade do século XV, e a tinta é compatível com essa época. Portanto, o livro é realmente antigo, o que exclui a hipótese de ter sido falsificado mais tarde para ser vendido.

  1. Século XVA datação situa o pergaminho na primeira metade do século.
  2. Século XVIISobrevive correspondência acerca dele: já nessa altura, tentaram lê-lo e não conseguiram.
  3. 1912Um livreiro-antiquário compra o manuscrito em Itália, e este passa a ser conhecido pelo seu nome.
  4. AtualmenteEstá guardado numa biblioteca universitária, foi digitalizado e está disponível para qualquer pessoa.

O conteúdo é dividido em secções com base nos desenhos: plantas, círculos astronómicos, cenas de banho com figuras e páginas que parecem receitas. Não foi possível identificar com segurança nenhuma planta como uma espécie real.

Porque é que ninguém o consegue ler

O texto comporta-se de forma estranha. Em alguns aspetos estatísticos, parece-se com uma língua natural: as palavras repetem-se segundo padrões semelhantes aos dos textos comuns. Mas, noutros aspetos, não se parece com nada que se conheça.

Por exemplo, quase não há repetições de uma palavra com outra pelo meio e há muito poucas correções: quem o escreveu não se enganou uma única vez. Há palavras que aparecem apenas numa secção e outras que surgem três vezes seguidas, algo que quase nunca acontece nas línguas.

✕ MITO

O manuscrito já foi decifrado várias vezes.

✓ FACTO

As alegações de que foi decifrado aparecem regularmente, quase todos os anos. Nenhuma resistiu à análise: a leitura proposta costuma funcionar em algumas linhas e desmorona no resto do texto.

Também continua a existir a teoria de que se trata de uma sequência de símbolos sem sentido, criada para ser vendida. O seu ponto fraco é o mesmo: as estatísticas do texto são demasiado semelhantes às de uma língua, e produzir uma falsificação assim no século XV não teria sido fácil.

Também foram testados métodos automáticos. Os programas encontram uma estrutura semelhante à de uma língua, mas não concordam sobre qual, e os resultados dependem muito das suposições iniciais do investigador.

Outra dificuldade é haver apenas um texto. Para decifrar um texto, é geralmente necessário um segundo documento com o mesmo conteúdo numa língua conhecida, e aqui não há nada com que o comparar.

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O que se sabe com certeza sobre o manuscrito?

Fontes

  1. A datação por radiocarbono do pergaminho situa-o no início do século XV
  2. as propriedades estatísticas do texto lembram parcialmente as de uma língua natural, mas nenhuma decifração proposta foi aceite pelos especialistas

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